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Mostrando postagens de 2015

A ciência prova a existência de Deus?

Ao final de uma aula de filosofia, sou acometido por três alunos que concluíram a atividade que houvera passado e que me perguntam ávidos e com o semblante incendiado: "professor, o senhor é ateu mesmo?" O tema da aula em questão fora sobre as teorias filosóficas que abordam o tema da verdade nos filósofos pré-socráticos, em especial Heráclito e Parmênides. Introdutoriamente, falara com os alunos que o surgimento dessa nova forma de pensar originada por esses filósofos se deve ao fato de eles deixarem de lado a explicação baseada no mito ou na crença e terem se utilizado única e exclusivamente da razão como instrumento para explicação da realidade - a busca pelo princípio teórico das coisas, a arkhé, em grego. Não sei porque cargas d'água, de repente estávamos falando que a religião está, sob certo aspecto, intrinsecamente envolvida com o mito; diria até que a religião necessita do mito para existir enquanto tal; e comecei a explicitar a mitologia cristã que, embora algu…

A Palavra do Senhor II

Tenho que tratar desse tema novamente. Faz-se mais do que necessário compartilhar essas experiências. Óbvio que são, em um determinado momento hilárias, mas não deixam de suscitar uma reflexão reincidente.

Lá estava em casa de minha mãe quando surge à porta os tão famigerados "queima-panela", apelido "carinhoso" atribuído aos religiosos da Igreja Testemunha de Jeová bastante comum por essas paragens - o velho preconceito religioso que ainda resiste por essa região. Como de costume em minha família, alguém, para se livrar o mais brevemente possível desses "missionários", sugere que eu vá recebê-los. Confesso que inicialmente não gostava muito, mas com o tempo passei a sentir um pouco de satisfação ao fazer isso, pois, o que mais me fascina nesse tipo de experiência, é ver a cara de espanto desses "discípulos de Jesus" quando falo de coisas que para eles soam como tabu.

A forma de abordagem parece ser sempre a mesma: perguntam logo se a pessoa vis…

O ser humano precisa ser salvo de quê ou de quem?

Hoje senti uma inquietação que jamais havia sentido antes! Uma pergunta veio até meu pensamento que me deixou intrigado, confuso e bem angustiado - mais de uma para a coleção! Vivemos em uma época de crises de valores, de perspectivas, sobretudo política ou ideológica, na qual o ser humano não consegue mais encontrar uma referência sólida, inabalável, que lhe oferte uma segurança necessária para que ele mesmo consiga iniciar a tão laboriosa busca de si mesmo. Nem a religião, a mais antiga das bases referenciais humanas consegue ser tão inabalável. Por isso minha inquietação: será que o ser humano tem "salvação"?

As dúvidas e questionamentos quanto a essa possibilidade de salvação do ser humano tomam meu espírito que não consegue, contudo, sequer criar uma justificativa cabível que me convença da necessidade de se salvar o ser humano de sua atual condição! Certo que este texto pode configurar-se pessimista - que o seja! - mas que não podemos negar essa condição de a humanidad…

CRÔNICAS DE UMA BARBEARIA II

Dona Aldegunda, seu Paulo e as leis

Dona Aldegunda era uma funcionária pública exemplar. De família tradicional na pequena cidade de Enforcados, sempre esteve de algum modo envolvida com os grandes acontecimentos da pacata cidadezinha. E foi graças a essa convivência com os personagens mais conhecidos de Enforcados que ela conseguiu seu emprego público e, posteriormente, um cargo de chefia no setor onde trabalha a mais ou menos vinte anos. Casada com Paulo, sessenta e poucos anos, homem simples, funcionário municipal aposentado, a mais de trinta anos aceita a personalidade forte de sua esposa e vive à sombra dela. Não é de briga, calmo, parcimonioso, frequentador contumaz da barbearia de seu Oswaldo, senta-se à cadeira de espera e dá um bom dia timidamente a seu Oswaldo e ao cliente que está por terminar de cortar o cabelo.
- Bom dia, seu Paulo!Tudo bem com o senhor? Responde seu Oswaldo.
O homem sentado à cadeira do barbeiro observa pelo reflexo do espelho seu Paulo balbuciar alguma …