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Mostrando postagens de 2012

PODE UM ATEU ESTAR REUNIDO COM OUTROS?

Certa ocasião, conversando com um amigo sobre filosofia e coisas afins, deparamo-nos com um questionamento a respeito do que vem a ser necessariamente o ateísmo, sobretudo nos dias de hoje, com um significativo retorno da religiosidade e de religiões inclusive distintas das religiões cristãs de outros momentos históricos.

Conversávamos a respeito de uma reunião que aconteceria em Aracaju dos ateus do nosso estado - e que, confesso, achei deveras esquisito essa "congregação de ateus" - iniciado nas redes sociais via Internet. Quando estava na qualidade de membro virtual desse grupo social de ateus, achei interessante pelo menos saber das opiniões que convergiam dentro dele assim como achei ser interessante também saber se as opiniões que circulavam eram as mesmas ou semelhantes às minhas e, sobretudo e obviamente, meu objetivo maior era o de compartilhar um pouco da angústia de viver em um país notadamente influenciado pela religião, sobretudo a católica, sendo um crítico fer…

O problema da Democracia II

Recentemente atravessamos um período de eleições municipais para elegermos prefeitos e vereadores. Falou-se muito em política, em propostas, em ideias, em conchavos, em disputas, enfim, numa série de ações que muitos do senso comum julgam compreender profundamente. É nesse período de eleições que vemos também os inúmeros “cientistas políticos” surgirem e bradarem seus discursos eivados de fórmulas e sentenças que somente eles compreendem – ou não. São pessoas do povo, pseudocientistas políticos que enumeram suas afirmações de um modo tão preciso, tão convicto que em alguns casos chega até a nos assustar. Mas ainda temos aqueles, também do povo, que torcem avidamente qual um torcedor fanático pelo seu candidato que chega até a taxa-lo, em muitos casos, como o “salvador” da cidade, numa óbvia alusão ao elemento religioso, o que os torna, no entender deste humilde filosofante, ainda mais perigosos.

Na cidade onde resido atualmente, esses senhores, digo, esses “doutores da política” são …

O problema da democracia

A democracia, é notório para muitos de seus defensores, é uma das melhores formas de governo que o ser humano pode gozar em sua história. Repleta de vantagens, de benesses, é de fato uma das formas de governo mais aprimorada para lidar com o ser humano em sociedade e seus anseios de liberdade. Mas hoje em dia mais se assemelha a um discurso envelhecido manejado pela velha burguesia que tenta impor mais uma vez goela abaixo suas sutis formas de dominação, alienação e controle - aliás, e quando de fato ela deixou de sê-lo? Apesar de ela ser a melhor forma de governo para lidar com o próprio ser humano em coletividade, ainda assim traz consigo algumas mazelas cancerígenas e que muito provavelmente irão demorar para extinguir-se, pelo menos por aqui, nas paragens tupiniquins.


A democracia manifesta como uma de suas mazelas cancerígenas, o que parece até um paradoxo, a diversidade de opiniões. Calma, não estou aqui afirmando que sou contra a diversidade de opiniões, mas por permitir uma d…

A solidão nos dias de hoje

Falar em solidão atualmente é quase que tratar de um tabu. Parece ser um tema tão espinhoso, tão perigoso, tão problemático que preferem deixar este tema atrelado muito mais a uma doença do que necessariamente a algo associado exclusivamente ao espírito humano. Parece que falar de solidão pertence única e exclusivamente a uma área da medicina ligada a doenças psicossomáticas e que somente estes especialistas possuem o dever ou a capacidade de falar sobre este assunto. Ora, a solidão é uma necessidade para a reflexão! O indivíduo consegue refletir sobre sua condição coletiva estando afastado dela, seja periodicamente, temporariamente ou como quer que seja. O problema é que alguns taxam esses indivíduos solitários como “depressivos”, potencialmente “problemáticos” ou até como “protocriminosos”.
Apesar dos avanços dos meios de comunicação, do avanço dos aparelhos telefônicos, da internet, da tevê, enfim, das mídias em geral, ainda assim vemos pessoas que se sentem sozinhas, solitárias, …

A justiça e os interesses dos donos do poder

Durante este período de greve dos professores da rede estadual aqui no estado de Sergipe pude perceber mais claramente uma prática recorrente que já vem acontecendo há muito tempo entre os governantes desse estado nos anos pós ditadura: a utilização do poder judiciário como ferramenta de controle da legitimidade ou legalidade das paralisações ou greves.

Chega a ser algo assustador para não dizer extremamente preocupante o fato de na maioria das greves os governantes se utilizarem de recursos jurídicos, do poder da justiça para combater a principal ferramenta da classe operária que é a greve. Como já comentei em um texto anterior a respeito da legitimidade da greve sobre a perspectiva marxista, e aqui não há como fugir também dessa perspectiva, até porque é um dos poucos autores ou pensadores voltado realmente para a realidade dos trabalhadores, a nossa justiça não consegue obter esta mesma capacidade de observar a realidade dos trabalhadores pela ótica dos próprios trabalhadores, mas …

A greve como artifício fundamental na sociedade de classes

Ao vivenciar uma greve dos professores da rede estadual pública daqui de Sergipe que está prestes a completar 30 dias, pude perceber através das conversas de alguns populares, em especial de pais que possuem filhos em escolas públicas, uma insatisfação significativa em relação aos professores grevistas. Os professores lutam por uma incorporação do piso nacional da categoria ao salário-base, o que, de acordo com o SINTESE (o sindicato dos professores do estado de Sergipe), seria de 22,22%; o governo atual, do governador Marcelo Déda, diz ser praticamente inviável tal porcentagem e cogita a possibilidade de até 6% de aumento, inclusive para as demais categorias de funcionários do estado. Talvez o mais agravante, na visão do governo e desses pais, seja de fato os quase 30 dias sem aula dos alunos, sobretudo os que pretendem realizar a prova do ENEM que acontece em meados de novembro. Mas na visão dos professores, é diferente.

Ao tomar ciência dessa distorção percentual em que a categoria…

Ciência versus Religião: um infinito conflito

Dentre os muitos temas polêmicos tratados pela filosofia, existe um que me deixa bastante apreensivo quando vou tratá-lo em sala de aula. O tema é a religião e sua relação com o mito, sobretudo quando da existência da mitologia cristã. Nos manuais de filosofia, pelo menos os que trabalhei e trabalho, parecem notar a mesma apreensão que sinto. Não comentam detidamente ou detalhadamente o tema em questão ou sequer fazem alguma referência à mitologia cristã. Não sei se por um receio inocente ou por puro medo de seu título não ser aceito pelas escolas. Comentam sobre mitologias indígenas daqui ou de regiões distantes e, claro, a grega, mas sem criar qualquer referência à mitologia cristã.

Tomei consciência desse "lapso inocente" ao citar justamente o que os manuais omitiram e, para minha parcial surpresa, alguns alunos questionaram. Primeiro: não conseguiam compreender que a explicação mitológica não é algo meramente fantasioso, mas sim uma tentativa de explicação da realidade r…

Livro: um peso morto para a educação pública

O ano letivo que iniciou trouxe boas novas para os professores de filosofia da rede estadual de Sergipe. Depois de algum tempo de lutas e conflitos junto aos órgãos competentes para o devido reconhecimento e inclusão da citada matéria pelo menos no ensino médio, os responsáveis por essas articulações junto à máquina do Estado enfim foram sensibilizados - principalmente depois da inclusão de conceitos filosóficos no ENEM, aliás, o "santo" ENEM. Lembro-me da época que, em parceria com nobres colegas do curso de filosofia da Universidade Federalde Sergipe, como André, Santa Rosa e Salomão, e de alguns professores como Marcos André, buscávamos através da nossa participação ligeira no nosso Centro Acadêmico (o CAFIL) sensibilizar algumas autoridades do Estado ou da própria UFS para incorporar pelo menos os conteúdos de filosofia no exame do vestibular hoje extinto. As experiências foram boas, mas as conquistas nem tanto.

Passado algum tempo, o estado de Segipe abre concurso e al…

Pré-Caju: festa sergipana?

Recentemente aqui no meu estado, mais precisamente na capital Aracaju, aconteceu uma festa que os organizadores intitulam como "a maior prévia carnavalesca do Brasil", o Pré-Caju. Devo admitir que essa festa traz ao nosso diminuto estado uma projeção nacional - ou internacional - e que por sua vez ajuda a propagar nossas belezas, nosso encanto, nossa identidade, nossa sergipanidade ao turista... Espere?! Eu disse "nossa sergipanidade"? Bom, acho que o que de fato tem de sergipano nessa festa é só o nome, "Pré-Caju", porque o resto é de outro estado, de outra cultura. Isto mesmo, a maioria absoluta dos artistas que cantam e tocam seus intrumentos em cima de caminhões de ensurdecimento massivo são baianos! As músicas aqui cantadas são de autoria dos baianos! O sotaque da festa é baiana! E boa parte dos turistas que veem prestigiar esta "grande prévia carnavalesca" também vem da Bahia!

É bom que fique bem claro: não tenho nada contra a Bahia, pelo …