quarta-feira, 25 de maio de 2011

O casamento de um príncipe com uma plebeia

Recentemente o mundo foi “abalado” por um grande momento que aconteceu no reino da Grã Bretanha. O casamento do príncipe com uma plebeia... De repente, em todos os canais de grande visibilidade do Brasil, só havia esse grandioso casamento – que agora não me recordo, mas que não faço tanta questão assim de lembrar-me. Não conseguia assistir à programação normal em função desse assunto que, segundo alguns especialistas do tema, “mudaria o mundo”. Se a roupa da agora princesa estaria assim ou assado; se o príncipe faria isso ou aquilo; enfim, subitamente prorromperam milhares de especialistas e comentaristas do casamento real que fiquei assustado ao saber que tem gente que se especializa nisso... Comentários e mais comentários de famosos, de autoridades, de graduandas e graduadas e até doutores se debruçando sobre esse tema tão pertinente à nossa vida... Eu disse “pertinente”? Ora! Quão impertinente foi esse assunto que até hoje, quase três dias depois, ainda se ouve em notas na imprensa o Day after do mais novo casal real!

É como se tal assunto da vida particular deles tivesse um respaldo quase que imediato em nossas vidas – quer dizer, na Inglaterra desconfio, já que a rainha não possui tantos poderes assim, mas, e o resto do mundo? Sobretudo um país em desenvolvimento que tenho muitas dúvidas se os ingleses estariam se lixando se nós estamos ou não preocupados com seus símbolos reais...

Algo que me parece muitos terem esquecido: esse casamento não vai mudar as nossas vidas! Não passa de um casamento entre duas pessoas, imagino, que trocaram confidências, como qualquer um de nós fez ou faz. Ah! Mas alguém poderá bradar: “- mas eles são da família real e eu não”! Sim!? E daí? O fato é que, talvez o pior de tudo para quem seja professor sejam as perguntas sobre tal problema. Na escola onde leciono, uma aluna chegou para mim e perguntou-me: “- professor, porque aqui no Brasil não temos casamentos de reis e rainhas?” Tomei um susto! Mas depois percebi que a culpa não é desta pobre coitada por não saber que no seu país vigora um sistema de governo que não é o da Coroa e que vê na tevê um assunto de outro país sendo empurrado goela abaixo aos incautos telespectadores que simplesmente acham lindo acompanhar um casamento de uma plebeia e um príncipe como se fosse num conto de fadas “real”...

É verdade! A tevê vende contos, fábulas, historinhas da carochinha, porque tudo isso atrai a atenção da maioria dos nossos telespectadores incautos desse país varonil tão preocupado com uma educação de qualidade. Por isso o Ibope da rede Globo ser tão fantástico! É a emissora que mais vende e empurra essas coisas nas nossas cabeças que a gente nem sente de tão alargado que está o orifício de entrada da nossa mente. É novela que muda a rotina das pessoas, que altera o comportamento delas, que mais vende produtos e, claro, que goza do horário mais caro da tevê brasileira e que as outras emissoras são de alguma forma obrigadas a seguir.

Pior que os contos de fadas não se restringem apenas às novelas, temos que tomar todo cuidado possível, pois as historinhas são tantas durante toda a programação, a fantasia que é transmitida toma a maioria do horário dessa emissora, que até os telejornais, que deveriam ter um caráter verídico, de preocupação com a verdade, correm o risco de sofrer algum tipo de influência dessas fantasias que impregnam o restante do horário. É aquela velha história de se questionar a autenticidade da notícia dada por um bobo da corte, que por sua vez estaria mais preocupado em entreter ou divertir seus assistentes.

O problema possui proporções tão olímpicas que sequer confabulo quem é o culpado por completo de esta situação estar do que jeito que está... Será que são dos nossos políticos que ao longo dos anos foram deixando o “barco correr” dessa megalópole empresarial chamada Globo? Das pessoas que assistem de modo quase hipnotizante e que, ainda por cima, criam seus horários a partir da programação dessa tevê? Ou da própria rede Globo que fez questão de incutir pequenos mecanismos ou mensagens subliminares em sua programação obrigando ou seduzindo o simples telespectador a viciar-se nessa coisa pós-moderna tão “maravilhosa”? Será que meus filhos assistirão algum dia a derrocada da rede Globo? Será que eu um dia gozarei quando as máscaras dessa empresa de fábulas caírem? Vamos todos sonhar, que nem num saudável conto de fadas...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Da estultificação das massas

Às vezes me critico bastante por ser aquele tipo de gente que está predisposto a observar apenas o que tem de ruim em alguma coisa. Principalmente aquelas palavras que alguém, talvez por pura idiotice ou puro desleixo mesmo, solta diante de um número significativo de pessoas que porventura possa exercer algum tipo de influência. Esse tipo de coisa geralmente se dá com gente famosa, aliás, eles deveriam fazer alguma espécie de preparação ao se tornarem famosos, pessoas, quer queiramos ou não, que servem de referência para outras, para não falarem algo completamente sem nexo ou preconceituoso ou ainda despropositado. Hoje mesmo tive a felicidade de ouvir durante alguns cinco minutos valiosos da minha breve vida uma entrevista com o senhor Carlinhos Brown que comentava a respeito das críticas que o axé-music sofre e ainda vem sofrendo. Inicialmente estava compadecido pelo depoimento dele, senti-me na obrigação de levantar a bandeira em defesa da música baiana para as massas já que sou também um fervoroso protetor da nossa cultura nordestina – embora algumas pessoas não achem que a Bahia não faça parte do nordeste –, sobretudo daquele imenso celeiro cultural que foi a primeira capital do país. Concordei com o senhor Brown até certo ponto, passei a discordar a partir do momento que ele afirmou com todas as letras que “quando as pessoas vão para uma festa de rua não esperam pensar...”. Claro! Pior que o senhor Brown está correto, não obstante, talvez o grande problema esteja justamente quando a pessoa se torna dependente desse tipo de festa de rua e não suporta essa coisa tão desgastante que é pensar. Pior ainda é quando vemos que não apenas as festas de rua possuem esse caráter de estultificação como muitas outras instâncias da vida em sociedade que lidam com o quotidiano, a começar pela grande mídia que carrega essa “cruz” de mastigar e regurgitar alguma coisa para a grande massa. Trata-se de um trabalho inglório. Todavia, não encontro a necessidade de se fazer a todo o momento tal sacrifício em nome de uma compreensão repleta de lacunas – se é que existe alguma compreensão de fato – ou ainda de legar a segundo plano algum conteúdo efetivamente válido para o espírito humano. Concordo que o ser humano deve possuir seu tempo para o “nada”, mas constantemente atrelado a algo que esteja recheado de frivolidades, passatempo ou entretenimento, confesso que se trata de algo no mínimo desrespeitoso.

INDIVÍDUO HUMANO: UM CAÇADOR DE SI

É fato, a "Idade das Trevas", preconceituosamente atribuído ao período histórico no qual a Igreja havia dominado política e ideol...