Da estultificação das massas

Às vezes me critico bastante por ser aquele tipo de gente que está predisposto a observar apenas o que tem de ruim em alguma coisa. Principalmente aquelas palavras que alguém, talvez por pura idiotice ou puro desleixo mesmo, solta diante de um número significativo de pessoas que porventura possa exercer algum tipo de influência. Esse tipo de coisa geralmente se dá com gente famosa, aliás, eles deveriam fazer alguma espécie de preparação ao se tornarem famosos, pessoas, quer queiramos ou não, que servem de referência para outras, para não falarem algo completamente sem nexo ou preconceituoso ou ainda despropositado. Hoje mesmo tive a felicidade de ouvir durante alguns cinco minutos valiosos da minha breve vida uma entrevista com o senhor Carlinhos Brown que comentava a respeito das críticas que o axé-music sofre e ainda vem sofrendo. Inicialmente estava compadecido pelo depoimento dele, senti-me na obrigação de levantar a bandeira em defesa da música baiana para as massas já que sou também um fervoroso protetor da nossa cultura nordestina – embora algumas pessoas não achem que a Bahia não faça parte do nordeste –, sobretudo daquele imenso celeiro cultural que foi a primeira capital do país. Concordei com o senhor Brown até certo ponto, passei a discordar a partir do momento que ele afirmou com todas as letras que “quando as pessoas vão para uma festa de rua não esperam pensar...”. Claro! Pior que o senhor Brown está correto, não obstante, talvez o grande problema esteja justamente quando a pessoa se torna dependente desse tipo de festa de rua e não suporta essa coisa tão desgastante que é pensar. Pior ainda é quando vemos que não apenas as festas de rua possuem esse caráter de estultificação como muitas outras instâncias da vida em sociedade que lidam com o quotidiano, a começar pela grande mídia que carrega essa “cruz” de mastigar e regurgitar alguma coisa para a grande massa. Trata-se de um trabalho inglório. Todavia, não encontro a necessidade de se fazer a todo o momento tal sacrifício em nome de uma compreensão repleta de lacunas – se é que existe alguma compreensão de fato – ou ainda de legar a segundo plano algum conteúdo efetivamente válido para o espírito humano. Concordo que o ser humano deve possuir seu tempo para o “nada”, mas constantemente atrelado a algo que esteja recheado de frivolidades, passatempo ou entretenimento, confesso que se trata de algo no mínimo desrespeitoso.

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