Um desabafo contra a religiosidade farisaica


Padres, padres e mais padres tomam a cidade outrora pacata. A todo instante algum sabedor de religião diz ser dono da palavra verdadeira, da última palavra em religião, da encarnação da palavra, e por aí vai. São eles todos doutores! Nefastos e idiotas doutores com toda sua pompa, sua audácia malfazeja, seu caráter mesquinho, pequeno burguês, hediondo contra um raro espírito livre nesse mesmo lugar outrora pacato. Esses pulhas invadem até o silêncio da madrugada arvorando-se donos de algo que jamais podem ou poderão controlar, apenas habitar, invadir, tal qual os portugueses realizaram aos humanos que aqui já habitavam e foram todos violentados em todos os aspectos. Vestem-se com toda a pompa, com toda a soberba, com todo o invólucro de falsidade, de enganação, e o que é pior, ludibriam e expropriam as pobres almas que fazem questão de serem pobres almas, de estarem ali, reclusos e apequenados em suas desumanidades corriqueiras, cotidianas, acreditando que Deus acredita neles, "porque o padre assim o disse..." Estúpidos todos! Que morram nisso que chamam de vida provida de algo distorcido que eles insistem em chamar de liberdade! Ligo a mínima! Estou cansado dessa briga de ninguém, dessa ideologia imunda e ao mesmo tempo emancipadora que não ajuda a ninguém que não a queira. Por que tem que ser dessa forma? Por que os estúpidos sentem-se atraídos pelos estúpidos? Por que obrigar, de modo sucinto, mas fatal, aqueles ditos jovens, habituados ao único momento efetivamente livre de suas vidas predestinadas ao fracasso, à burocracia, às estatísticas, enfim, ao nada, a fazerem algo que lhes doem a alma. "Gostem de Deus que Ele gostará de vocês!" É mentira! Tudo não passa de mais um engodo! Deus não ama ninguém a não ser a si mesmo! Por isso idolatra-se e pede idolatria; por isso deseja que todos façam algo por Ele, em nome dEle, seja para o mal ou para bem, não importa! Apenas usem o nome dEle e lembrem-se sempre que Ele é o superior e que eles, vocês, nós, não passamos de uma cópia mal sucedida, mal acabada de uma tentativa de sermos deuses. Mas eles, vocês, nós somos todos deuses!

E o maldito burguês de preto com seu "chapeuzinho de cuia" chega em seu automóvel estupidamente limpo por alguém que achou estar fazendo uma boa ação ao santo homem quando lhe permitiu que lavasse seu automóvel. Ele é um bispo, alguém tido como especial porque é um dos emissários diretos de Deus aos "homens de bom coração". E os coitados, esfomeados, retirantes espirituais, crêem nisso tal qual o dia nasça amanhã. Chegam a dar seu findo dinheiro em nome de uma festa também estúpida, já que é organizado por homens de almas estúpidas, na busca de estarem praticando uma boa ação. Isso não é uma boa ação! Não passa de um atestado de mediocridade, de aceitação de inferioridade que eles querem que todos a tenham que nem a porra de um câncer espalhado pelo corpo todo há muito tempo. Aquele odor que é exalado de suas vestes pretas, que simbolizam a pureza, o respeito para com aquele ser dito maior, não passa de um casulo, de uma crisálida, de um recipiente em que se guarda tudo que é de podre daquilo que chamamos "humano". Aposto que se Deus existisse ele reprovaria tal comportamento soberbo, luxurioso, de desfilar sob roupas pomposas para chamar a atenção do coitado, em todos os sentidos, para que ele lhe diga: "Olha, ali vai um enviado divino!". Divino do inferno, só se for. Não passa de um demoniozinho de quinta categoria tentando equiparar-se ao próprio Lúcifer em maldades que ele teima que sejam bondades. O diabo não acha que pratica maldade alguma, pelo contrário, é só observar porque ele ri. E o pobre Deus o faz assim? Aprendemos que não. Deus jamais ri de nada, se o fizer será um louco, todos devemos então seguir mais esse mandamento subentendido nas entrelinhas de sua doutrina desumana e exercitar todos os domingos nossa tristeza imposta – a verdadeira "essência do cristianismo". Se bem que nos será permitido estarmos alegres somente em casos de pura estupidez, já que se está no meio de estúpidos, então poderemos saltitar, dançar, proferir músicas (se é que o são) de letras medíocres e rezar também mediocremente, pois um campeonato de rezas de vez em quando ajuda a nos levar à redenção, a estar mais próximos de Deus, de preferência na igreja, ao lado daquele que se diz o oficial imediato do grande nada que insistem em chamar de DEUS! Esse deus que eles tanto falam não existe! Um produto, aliás, um produto muito bem elaborado ao longo de centenas de anos; uma marca muito bem desenvolvida que lhes permite lucros exorbitantes durante eras incontáveis em lugares inimagináveis! A maior empresa do mundo: a igreja católica apostólica romana! Produto principal: Deus. Segmentos desse produto: Jesus, o que dizem Cristo, e seus asseclas, santos, santas e beatos, afora os que o povo adora como tais mesmo sem a aprovação estúpida dos homens estúpidos daquele antro chamado Vaticano, lugar onde estão escondidos e muito bem guardados os espólios de incontáveis épocas sobre os mais diversos povos nas mais diversas regiões do planeta. Sim, eles podem tudo, eles são tudo, diria até o mais estúpido de todos os fiéis.


Comentários

  1. Meu caro filosofante, vc quer ser assassinado em Dores por algum padre maluco?
    Cuidado com a Santa Inquisição!!!!!

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  2. Ainda bem que o padre daqui ainda vive na Idade Média - bem como seus fiéis fervorosos - e acham que internet é coisa muito distante da realidade deles! Mas, ainda assim, é uma pena que eles não leem isso...

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